Comunicação autêntica em um mundo virtual

A autenticidade é um atributo buscado na comunicação pessoal e profissional, certo? Porém, e
quando, por algum motivo, em determinados contextos, não podemos transmitir todas as
nossas emoções, ao mesmo tempo que não queremos parecer não-autênticos?
A inautenticidade pode prejudicar nossa credibilidade, mas emoções incompatíveis tornam a
autenticidade desafiadora.

Esse tema foi discutido por Andrew Brodsky em seu artigo “Comunicação Autêntica em um
Mundo Virtual” publicado na Harvard Business Review. O autor menciona pesquisas anteriores
que nos orientam a atentarmos para nossas emoções e para aquelas exigidas numa
determinada situação para, então, encontrarmos uma maneira de alterar como nos sentimos.
Entretanto, sabe-se que o controle das emoções não é uma tarefa fácil.

Foi por considerar essa dificuldade que o mesmo autor publicou na Revista de Psicologia
Aplicada uma pesquisa que investigou qual meio de comunicação seria melhor para um
comunicador ser percebido como autêntico, mesmo quando a comunicação fosse inautêntica.
Os resultados levaram às seguintes orientações:

  • Se você estiver se comunicando autenticamente, tente usar o meio de comunicação
    mais rico disponível (por exemplo, presencial ou videoconferência).
  • Se você estiver se comunicando de forma não autêntica (por exemplo, você precisa
    suprimir emoções não apropriadas para uma interação), parece, em média, melhor
    utilizar comunicação por telefone ou áudio para parecer mais autêntico.
  • Se você precisar usar o e-mail para transmitir emoções que deseja que sejam
    percebidas como autênticas, encontre uma maneira de deixar claro que você não fez a
    escolha de propósito, ou que a escolha foi por um motivo positivo, para ajudar a
    reduzir a atribuição de pouco caso ou pouco esforço. As descobertas dos estudos
    indicam que não é o uso de e-mail que faz com que as emoções pareçam inautênticas
    por si só, mas que o destinatário tende a julgar que você escolheu de propósito o e-
    mail em detrimento de outro meio.

Outra orientação interessante da pesquisa é voltada para os times em trabalho
remoto: permitir que as pessoas que quiserem mantenham suas webcams desligadas.
Estar diante das câmeras pode ser incrivelmente desgastante e exaustivo para os
funcionários que tentam mascarar o estresse que sentem em determinadas situações
de comunicação. Desligar as webcams permite que os indivíduos se preocupem menos
com as emoções que podem estar exibindo e, em vez disso, se concentrem
simplesmente na tarefa em questão.

Segundo o autor, uma descoberta abrangente é clara nesta pesquisa: a mídia de comunicação
geralmente transmite mais do que imaginamos, seja porque damos pistas de nossas emoções,
seja porque os ouvintes/destinatários fazem avaliações baseadas no modo de comunicação
escolhido.

Qual é a sua opinião?

 

Fonte: Communicating Authentically in a Virtual World
by Andrew Brodsky. Harvard Business Review, Janeiro 2022.

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