Expressão Vocal no Júri

A dificuldade em se mostrar convincente é uma das queixas freqüentes relatadas por pessoas que necessitam falar em público pela exigência de sua profissão.

A dificuldade em se mostrar convincente é uma das queixas freqüentes relatadas por pessoas que necessitam falar em público pela exigência de sua profissão. Alguns desses profissionais preparam cuidadosamente o conteúdo do discurso, mas desvalorizam os elementos da comunicação não-verbal (voz, gestos, expressão facial etc).

A preocupação excessiva com a seleção das palavras muitas vezes leva o orador ao esquecimento do “como” dizê-las – o que transforma sua comunicação verbal numa “massa sonora” sem nuances. Conseqüentemente, o discurso perde força e brilho tornando-se menos convincente.

O advogado, por exemplo, necessita ter um discurso persuasivo diante do júri, pois seu objetivo é conduzir o corpo de jurados a concordar com ele, seja para incriminar, inocentar ou atenuar determinada pena. Com isso, a responsabilidade do ganho de causa recai, entre outros aspectos, sobre a expressividade da voz.

Todo orador eloqüente necessita ter uma fala clara que atinja todos os pontos da sala de maneira confortável, tanto para ele quanto para os ouvintes. A falta de compromisso com esse aspecto resulta em distorções ou omissões de sons. Conseqüentemente, o ouvinte se distrai e se esforça para entender a fala do orador, tarefa que não cabe a ele.

Um discurso monótono, sem variações de tonalidade e intensidade de voz não valoriza as palavras. Além disso, o tom para a situação de júri é aquele que transmite confiança no que se diz. Ter flexibilidade na melodia da voz, isto é, na entonação é o que gera o brilho na sua apresentação.

Quanto ao tempo do discurso, estudiosos questionam a capacidade de qualquer pessoa prestar atenção em um discurso muito longo. Neste caso, é recomendável que os pontos mais relevantes sejam apontados logo no início da apresentação e retomados ao final desta.

Outro aspecto importante diz respeito a expressão corporal: postura, gesto e olhar. O advogado, em situação de júri, necessita observar sua postura e seus gestos para que sejam naturais e não espalhafatosos, pois energia demais também dispersa o ouvinte. O seu olhar precisa ser diretivo para prender a atenção dos jurados, como se estivesse em um diálogo.

Por outro lado, necessita observar a expressão corporal dos jurados, pois estes deixam transparecer sentimentos através da face. Essa observação é um bom termômetro para que o advogado mude sua dinâmica comunicativa, tornando-se mais objetivo e interessante na fala.

Quando um discurso é bem proferido os ouvintes exercem seu discernimento crítico. No momento do júri, são os jurados que têm nas mãos o poder de decisão. No entanto, está nas mãos do advogado persuadi-los. Isto quer dizer que cabe ao advogado dominar o assunto e ser flexível e natural com a palavra, a voz e o corpo. Enfim, a arte do discurso consiste em transformar palavras em ação.

Autora:
Viviane Barrichelo
Co-autores:
Alessandra Krauss Zalaf
Frederico Cunha Santiago